Hoje me ligaram:'Vô N. Já morreu?'. Ainda não. A evolução da doença dele é tão complexa que não sei de que exatamente ele morrerá. Quanto a mim, angústia. Queria poder fazer algo mais. Hoje chorei ao lado dele. Tentei pesquisar resposta e nem à dor ele reagiu. Posso ter sido delicada, mas não consegui estimular meu vô. Depois de vinte dias internado, retornou ao asilo inconsciente, ainda com infecção urinária e em oxigenioterapia. Discuti o caso com todos que me apareceram. A grande resposta é : ele não está morrendo de infecção urinária apenas ou de um possível câncer.
Começou a morrer anos atrás, quando não controlava adequadamente sua pressão alta e diabetes. Morreu mais quando a família o internou no asilo. Morreu um pouco em dois derrames, morreu um pouco com tristeza e ociosidade que a vida em um asilo oferecem. E que posso eu com suas tantas mortes? Vô N. me mostra que começamos a morrer no dia em que nascemos. E eu morro um pouco com ele, nessa morte que se anuncia, escancarando tantos poderiam-ter-sido-diferentes em sua vida.
Obrigada Ênio Pietra, Ludmila Rezende e Valdirene Siqueira
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