terça-feira, 23 de outubro de 2012

Salvando pardais #2

Outro dia, chegando em casa, vi uma massa rosa na porta de entrada. Como nosso telhado é cheio de ninhos de pardais, logo reconheci: um bebê pardal que havia caído.
‘Lid, tem um passarinho morto na nossa porta!’
(Melhor nem lembrar que eu mesma havia jogado água no telhado dois dias antes, tentando expulsar os pardais emporcalhadores de lá).
Almoçamos e me esqueci de remover o corpo do passarinho. Ao voltar , a surpresa: ‘Lid, o passarinho morto tá vivo!’. A massa rosa agitava levemente o que poderia vir a ser uma asa. Como uma criança, corri e busquei uma tampa onde pudesse colocá-lo. Agonizante, sem penas e com um hematoma na barriga, deixei-o quieto em cima do fogão. Lid descrente e entendida de passarinhos, avisou que este não viveria. Algumas horas depois, sentenciou: ‘Marcella, seu passarinho vivo morreu de novo. ’ Joguei a massa passarinho no lixo, culpada por ter tentado expulsá-los.
Hoje ao chegar, vi uma massa maior, dessa vez cinza, que se debatia no chão da garagem. Já com peninhas humildes, mais um pardal caído do ninho. ‘Lid, vem aqui, temos mais um passarinho!E acho que esse vive!’. Ouvindo meus gritos animados e sem entender do que se tratava, saiu do banheiro enrolada na toalha. Estendi a ela uma embalagem de margarina com o pardal dentro. ‘Esse vive,acho’.
Lid alimentou nosso passarinho (agora chamado Bilbo, vivo desde o inicio) e ele pia a cada pedacinho de pão que ela oferece num palito. Espero que ela tenha herdado da Dona Alice o talento para cuidar desses bichinhos. E juro, prometo e garanto não mais jogar água em pardais!

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